Os rebeldes Houthis do Iêmen estão avançando na produção própria de armamentos, com uso de inteligência artificial e outras tecnologias, e se tornando menos dependentes do Irã. A informação é do InfoMoney.
O grupo, que já lançou mísseis de longo alcance contra Israel e atacou navios no Mar Vermelho, agora demonstra capacidade crescente de fabricar sistemas de armas localmente. Em julho, declarou bloqueio marítimo à Arábia Saudita e, na semana passada, tomou a cidade portuária de Mokha, além de ilhas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb.
O que o relatório da Anthropic revelou?
Um relatório da Anthropic sobre uso indevido de inteligência artificial apontou que uma célula baseada no norte do Iêmen, reduto dos Houthis, utilizou o modelo Claude para desenvolver armas guiadas. Mesmo com as salvaguardas da empresa, a célula avançou até o teste de disparo de um foguete guiado.
Como os Houthis evoluíram na produção de armas?
Os Houthis já experimentavam veículos de superfície não tripulados há uma década. Em 2017, usaram um barco controlado remotamente carregado de explosivos para atacar uma fragata saudita, matando duas pessoas. Após a captura da capital Sanaa em 2014 e o cessar-fogo de 2022, o grupo usou o tempo para se reorganizar, treinar e reequipar, segundo o InfoMoney.
O professor Peter Salisbury, da Universidade Columbia, afirmou à reportagem que o volume de mercadorias para fabricar armas no Iêmen cresceu exponencialmente após a trégua. Peças maiores, como chassis de mísseis, passaram a ser fabricadas em território controlado pelos Houthis, em vez de enviadas do Irã.
De onde vêm os componentes para a produção?
De acordo com o InfoMoney, os iranianos incentivaram os Houthis a desenvolver cadeias de suprimentos adicionais, inclusive na China, cujas fábricas fornecem muitas peças de drones usadas globalmente. O ex-comandante da 5ª Frota dos EUA, Kevin Donegan, disse que os Houthis conseguem a maioria do que precisam por meio do mercado negro global, mas ainda dependem de componentes-chave para mísseis eficazes, como sistemas de orientação, motores de foguete e aletas.
Esses componentes menores podem ser contrabandeados em embarcações tradicionais, como dhows, burlando o bloqueio naval americano focado em navios maiores. As remessas podem ir diretamente para áreas controladas pelos Houthis ou ser transbordadas via Chifre da África e costa da Somália.
O que isso significa para a segurança regional?
O aumento da autossuficiência dá aos Houthis mais flexibilidade para manter conflitos contra adversários iemenitas e sauditas, atacar o tráfego marítimo e ameaçar alvos israelenses e americanos. No entanto, especialistas alertam que autossuficiência não equivale a independência total do Irã, que ainda fornece suporte e componentes sofisticados.
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